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De escolas, shoppings centers, e o que (não) aprendemos em tempos de pandemia

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O Sr. Alexandre Soares Gomes, presidente da seção potiguar da UNDIME (articulação institucional que reúne secretários municipais de educação) e secretário municipal de educação de Monte Alegre, usou das redes sociais para lamentar que ao contrário dos shoppings centers, a escolas estavam obrigadas a se manterem fechadas. Para ele, isso seria uma prova cabal da pouca valorização da educação no contexto das decisões sobre a retomada do funcionamento das atividades sociais.  O Presidente da UNDIME (em resposta a comentários de uma das pessoas que acompanharam sua postagem), observa duas realidades que se impõem no sentido do retorno das atividades escolares presenciais: (a) o desemprego na área da educação (certamente referindo-se ao conjunto de profissionais não concursados que as prefeituras contratam para garantirem a oferta dos serviços); e (b) as providências que os gestores (e suas equipes) estão fazendo para dotar as escolas de condições sanitárias adequadas à circulação d...

O que a pandemia interpela aos professores?

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A grande maioria dos professores que conheço estão vivenciando a experiência da pandemia do coronavírus mobilizados nas atividades à distância que, em alguma medida, têm que desenvolver. Vivenciam um momento de reorganização de tempos, espaços, procedimentos e relações, cuja origem tem nome, mas é invisível: o COVID-19. Como educadores, a imersão nessa nova rotinização da vida de cada um pode nos conduzir a pensar, tão somente, nas novas alternativas didático-pedagógicas funcionais à condição inevitável da distância entre nós e os educandos. E, nesse sentido, estaríamos, quando muito, mitigando os efeitos desse distanciamento, possibilitando, nem mais, nem menos, que o cumprimento do que estava estabelecido anteriormente à irrupção da pandemia. Compreender em que contexto tudo isso está se dando e os aprendizados que podemos extrair desse momento deveria ser não apenas um tarefa para consumo próprio e individual, mas fonte para nossa ação, concreta e imediata, seja agora ou pós-pan...

Dias de "confusão" na educação de Natal

"Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". (Mateus 6:24) Eu não sei se o Prefeito Álvaro Dias é cristão. Eu não sou, mas essa passagem bíblica (como tantas outras) traduz um ensinamento útil para qualquer um, independentemente de crença, porque nos apresenta um imperativo ético: não há como se dedicar a polos antagônicos impunemente. E aqui não cabe confundir “antagonismo” com “diferença”, pois nem toda diferença implica antagonismo, embora todo antagonismo envolva posições substancialmente distintas. Também não sou físico ou químico, mas aprendi que qualquer ação que pretenda misturar óleo e água, em condições normais de temperatura e pressão, ou é fruto de um autoengano ou falácia. No primeiro caso, podemos debitar na conta da falta de estudo sobre o assunto. No segundo, uma clara tentativa de ludibriar a boa fé dos outros. Falta de estudo e ...

Epistemologias...

(extrato de um tratado epistemológico encontrado nas ruínas da universaidade de Alexandria...e divulgado anonimamemte, séculos depois, na internet profunda...) DOUTORADO O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1758) isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e restas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzido nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera(Linneu, 1758). No entanto, é possível compro...

Microconto daltônico

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Quando criança, pintava a bandeira do Brasil de um jeito diferente: onde havia verde, espalhava um marrom vívido, quase vermelho. No lugar do amarelo, deixava tudo em branco. O azul dava lugar a um cinza entristecido. A mãe achava tudo lindo. Dizia que havia ali pura liberdade poética. A professora de artes se arrepiava e dizia que sua releitura era de quem tinha uma personalidade forte. Até fazer o teste para aviador e ser avisado que não tinha sido aprovado por um problema: era daltônico...

A EJA no Governo Fátima: um péssimo começo

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O Rio Grande do Norte figura entre os estados brasileiros com a mais alta taxa de analfabetismo entre pessoas jovens e adultas no Brasil. O PNAD/IBGE calculou em 2017, que 13,7% da população do nosso Estado acima de 15 anos encontrava-se nessa situação.  Em 2010, o Censo do IBGE calculou em 1,2 milhão de pessoas sem instrução alguma e com o Ensino Fundamental Incompleto. Nesse mesmo ano, o número de pessoas com mais de 25 anos, sem Ensino Médio Completo era de pouco mais de 50 mil pessoas. A despeito desses indicadores e de termos um Plano Estadual de Educação com várias metas e estratégias que apontam para a superação dessa situação, as políticas do governo do Estado e da maioria dos municípios, nos últimos anos, têm se mostrado incapazes de dar conta desses desafios. A incapacidade da rede pública estadual em responder adequadamente a esse desafio se revela na queda no número de matrículas efetuadas nos últimos anos. Se tomarmos em comparação 2007 – ano de implementação ...

O retrato de uma classe, por João Elter Borges Miranda

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Um vídeo de setembro do ano passado que mostra um político qualquer chorando e enxugando as lágrimas numa bandeira viralizou nas redes sociais recentemente. Vi o vídeo e fiquei sem palavras. O papinho cheio de groselha do moleque em questão já é conhecido, mas desta vez o cara se superou. Cheguei a rir de nervoso. O que dizer desse sujeito? O vídeo é evidência cabal de que o sujeitinho mimado, que parece se achar a última bolacha do pacote, está se desenvolvendo: já era um debiloide que desmaia pra fugir do debate, agora é ainda mais. Que apelo mais baixo esse vídeo que esse filhote de fascista fez. O vídeo do floquinho de neve chorão é, de longe, o retrato de um play boy. O cidadão acha que o mundo é uma espécie de continuação de sua casa — onde todo mundo teria que ser um papai ou uma mamãe complacente, que tudo concede;  foi ensinado a acreditar que merece, seja lá o que for que queira. E quando não consegue o que quer, sente-se traído e revolta-se com a “injustiça”. ...