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Mostrando postagens com o rótulo Escritos de viagens

Pedindo a benção do Capitão Virgulino

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Num dos momentos mais emocionantes de minha viagem às margens do Rio Opará (também conhecido como Rio São Francisco), fiz o trajeto da volante comandada pelo Tenente Bezerra, que resultou na emboscada que matou o Capitão Virgulino, Maria Bonita e mais alguns de seus companheiros de cangaço. É uma trilha (ainda) de difícil acesso. Demoramos 30 minutos para chegar na Grota de Angico, local do assassinato dos cangaceiros, conduzidos por uma guia de nome Neide. Éramos algo em torno de 30 pessoas. Ao chegármos no lugar exato onde ocorreu o massacre, Neide tentou fazer uma reflexão sobre o fenômeno do cangaço indicando a dificuldade de se julgar Lampião nos marcos da dualidade Bandido-Mocinho. Antes mesmo de ela terminar sua reflexão, uns dois participantes já foram dando seu veredicto: Bandido! Ainda assim Neide tentou (um tanto quanto inutilmente) convencê-los que não era possível resumir tudo a essa dualidade. Fiquei pensando que diante de esquemas conceituais e perspectivas organizadas n...

Nossa Senhora das Correntes

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Em Penedo há uma Igreja que pertenceu a uma antiga e poderosa família portuguesa – Lemos – que foi influente na cidade por muito tempo. Uma família construir uma Igreja para si mesma era um costume muito comum no Brasil Colônia. Era uma forma da família estreitar laços com o poder da Igreja. Mas, ainda que fosse bastante influente e dominante na região, os principais membros da família eram contra a escravidão e mantinham um esquema de falsificação de cartas de alforria que viabilizou a liberdade para muitos escravos da região, especialmente os que atravessavam o Rio São Francisco, vindos das fazendas do lado de Sergipe em direção a Penedo, em Alagoas. A Igreja denomina-se Nossa Senhora das Correntes, apropriadamente, pois os escravos nadavam à noite e ao chegarem no outro lado da margem buscavam a Igreja dos Lemos, onde ficavam escondidos dentro de um compartimento diminuto – que cabia apertadamente em torno de 4 escravos – ao lado de um dos altares, durante os momentos em que se dava...

Rocheira...

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Um forte fantasma...Às margens do Opará (ou São Francisco, como foi nomeado por Américo Vespúcio) em Penedo, onde hoje se localiza a Rocheira, havia um forte no formato de estrela como o nosso Forte dos Reis Magos. Construído pelos holandeses, ele foi palco de uma batalha cujo desfecho foi a vitória das tropas portuguesas chefiadas pelo negro Henrique Dias. Vencida a batalha, o comandante percebeu a impossibilidade de manter-se naquele forte. Não havia como tomá-lo e manter aquelas tropas ali. O que fizeram então? Destruiram-no...e o tempo consumiu as ruínas e hoje não há nenhum resquício dessa fortaleza.

Impressões de viagem às margens do Rio Opará

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Há anos não tinha dias inteiramente dedicados a mim mesmo. Este ano tive. O cancelamento do início de atividades de um Projeto somada à minha disposição em “sair do ar” foram determinantes. Fiz um roteiro bacana. O objetivo era conhecer duas cidades que margeiam o rio São Francisco: Penedo-AL e Canindé do São Francisco-SE. Como de Natal para lá são aproximadamente 10h de viagem, resolvi fazer pausas em Recife (na ida), Maceió e João Pessoa (no retorno). Como não dá para numa única postagem falar de tudo, então farei como Jack (o estripador), será “por partes”. Primeiro, então, falarei sobre Penedo-AL que carrega o título de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Brasil. Uma cidade maravilhosa. Um esplendor de casarios construídos durante o século XVIII. Uma espécie de Ouro Preto encravado no Nordeste. É claro que estou me referindo à parte antiga da cidade, pois há uma parte “nova”). Segundo me informaram lá, Penedo foi a quarta cidade fundada no Brasil (há controvérsias) e ...