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Pequena autobriografia belchioriana

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Um dia, pensei que preferia e precisaria andar sozinho. E disse para deixarem eu decidir a minha vida. Já não precisava que me dissessem de que lado nascia o sol, lá batia o meu coração. Na cidade do sol. Havia uma tristeza no ar. Mas eu era ainda muito moço pra tanta tristeza. Deixei coisas. Cuidei da vida, antes que chegasse a morte ou coisa parecida, chegasse e me arrastasse moço sem ter visto a vida. Ao chegar em Natal não era muito mais que apenas um rapaz latinoamericano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Resolvi ficar na cidade e não voltar pro sertão, pois via vindo no vento o cheiro de novas estações para mim e para o mundo. Buscava a paixão fundamental, edípica e vulgar, de inventar meu próprio ser. Algumas vidas entraram em mim como um sol no quintal, houve amores profundos, transas casuais. Gozei em céus e infernos. Fiz canções corretas, brancas, suaves, muito limpas e leves, mas também vocalizei sons, palavras como navalhas, porq...

A vitória da cidadania poética ou da poética cidadã

Publicado em:  http://www.cnj.jus.br/tecnologia-da-informacao?catid=0&id=82387 Um consumidor conseguiu uma solução pacífica para um problema de vazamento de água junto à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), na esfera administrativa, sem a necessidade de se buscar o Poder Judiciário. A forma inusitada e amigável com que se deu a conciliação chamou a atenção da empresa: o consumidor elaborou um requerimento relatando o problema em forma de poesia, com 40 estrofes rimadas, e da mesma forma recebeu a resposta da empresa (veja ao final). A conciliação é um método utilizado em conflitos mais simples, no qual o terceiro facilitador pode adotar uma posição mais ativa, porém neutra e imparcial com relação ao conflito. É um processo consensual breve, que busca uma efetiva harmonização social e a restauração, dentro dos limites possíveis, da relação social das partes. Prática incentivada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a conciliação vai ao encontro...

METALINGUAGEM

Eufórica, Convicta, Determinada, A alfabetizadora Expõe e escreve na lousa O novo desafio alfabético D. Maria, Olhar atento, Raciocínio rápido, Tirocínio agudo, Com sua voz pausada, firme e linear Soletra: Pê-á-ene-é-ele-á... Ca-ça-lo-ra!

Professores protocolam representação no Ministério Público sobre o redimensionamento da EJA na rede pública estadual

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Reproduzimos abaixo, texto integral da Representação ao Ministério Público, feito pelos professores Alessandro Augusto de Azevêdo, Alexandre da Silva Aguiar, Edneide da Conceição Bezerra e Marisa Narcizo Sampaio, em relação à Portaria 1731/2016, da Secretaria de Estado de Educação e Cultura, que orienta a formação de turmas de EJA na rede pública estadual. A Representação foi protocolada no último dia 16de novembro. Nós, ALESSANDRO AUGUSTO DE AZEVÊDO, ALEXANDRE DA SILVA AGUIAR, EDNEIDE DA CONCEIÇÃO BEZERRA, e MARISA NARCIZO SAMPAIO, vimos, perante Vossa Excelência, expor, para ao final requerer, o seguinte: O Diário Oficial do Estado de 15 de outubro próximo passado publicou Portaria 1731 pela qual a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura – SEEC/RN estabelece critérios para a Implantação de Turmas de Educação de Jovens e Adultos – EJA nas Unidades Escolares da Rede Estadual de Ensino. Conforme a referida portaria, em seu Art. 3º, “A composição das turmas será ...

São Paulo é aqui? ou Sobre o redimensionamento da rede pública estadual.

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Em 2014, os estudantes de São Paulo ocuparam escolas da rede pública estadual em protesto contra o processo de reorganização da rede implementada pela Secretaria Estadual de Educação. Foram meses de (in)tensas negociações em face de medidas que implicavam no fechamento de várias escolas, em nome da racionalização da oferta dos serviços públicos educacionais. O desgaste da gestão foi imediato, a ponto do então secretário deixar o cargo e o governador Alckmmin suspender os efeitos do dispositivo legal utilizado à época. Avaliação quase unânime naquele momento (e ainda hoje) aponta que o maior equívoco, originário daquela crise, estava na condução autoritária e pouco transparente do processo. A comunidade escolar, via de regra, era convidada para ser informada sobre as medidas. Os gestores não queriam saber a opinião dela sobre tudo aquilo, mas apenas como se adequariam às situações que seriam criadas a partir da implementação das medidas. Isto é,  não se tratava de ouvir a comunid...

Sobre a criação da Banca de EJA da rede pública municipal de Natal

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Circula, no âmbito de uma comissão existente dentro da Secretaria Municipal de Educação para discutir a organização da modalidade EJA na rede municipal, a proposta de criação de uma Banca Municipal de Exames e Certificação da Rede Municipal de Natal – BME. A proposta emerge no contexto em que denúncias e mobilizações contra o fechamento d e turmas de EJA na rede pública municipal ganharam menção em jornais locais, inclusive com manifestações em frente à sede da Prefeitura dias atrás. Pelo que está sendo discutido na comissão, a BME atenderá estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental que estejam, no mínimo, com 15 anos de idade, e os estudantes matriculados na EJA da rede municipal (níveis III e IV), que tenham sido reprovados em até 2 componentes curriculares, os quais, através da BME, teriam a oportunidade de se submeterem a um (ou mais) exames, sem interrupção de suas respectivas matrículas. Em caso de aprovados nesses exames, os estudantes teriam a garantia da continuidade...

Feliz Dia do Rock

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Hoje é dia do rock. Sou o que sou, em parte, por causa da existência desse gênero, porque ele não é só algo que entra nos ouvidos para fazer o corpo se balançar, para preencher o ambiente ou ficar guardado na memória. O rock tem o poder mágico de entrar na alma e fazer emergir indignação. Em mim ajudou a forjar meu comportamento. Tenho algumas lembranças marcantes de como o rock entrou na minha vida e deixou marcas. Aos 12 anos, tomando conhecimento da morte do John Lennon, fui à cata dos álbuns daquela banda que eu só conhecia das versões jovemguardianas que a Rádio Rural tocava e me deliciei com Help!. A partir dali, conhecer toda a obra dos Beatles virou quase uma obsessão. Aos 14 anos, assistindo o Fantástico, vi o clip da Blitz e vi que era possível fazer música com jeito de história em quadrinhos e comecei a saber que se fazia rock no Brasil. Os Paralamas do Sucesso e a sua pegada meio reggae, meio ska, meio The Police (que conheci anos depois e fiz a imediata associação ao ...