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Impressões da Festa de Santana 2010, parte 1

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Minhas visitas a Caicó têm se dado numa média de uma vez por ano. Sempre é um momento agradável, em que revejo amigos de infância e de adolescência, bem como amigos conquistados mais recentemente por ocasião de minha passagem como professor do CERES. Quando vou a Caicó me encho de vários sentimentos bons, saudosos, mas também olho para a cidade com os olhos de quem - no fundo - se sente ligado não apenas ao seu passado, mas ao seu presente e ao seu futuro. Penso que talvez seja isso que esteja nas profundezas do que alguns chamam de "estar preso às suas origens" ou sentir-se "enraizado". Ainda que premido por globalizações e pós-modernidades, ainda olho para a terra onde fui parido e sinto-me (em alguma medida) ligado ao seu destino. Por isso tantas postagens relacionadas a esse lugar (veja  http://quixotesforrosebaioes.blogspot.com/search/label/Caic%C3%B3 ) Este ano fui à Festa de Santana e voltei com uma vontade danada de postar minha impressão sobre o que vi por...

Um dia solto no céu

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Bom final de semana a todos e todas. O escrito abaixo nasceu no meio de uma reunião em um assentamento. Às vezes acontece isso comigo: me ausento de uma dada situação (normalmente quando muitas informações circulam, barulhentas ou não) e ao me focar em algo viajo e de um lugar interior que não sei onde é, pululam frases soltas que vão sendo costuradas e tecidas como se um Outro assumisse o controle de minhas mãos...E lá vai uma poesia saindo...Beijos. Saí de mim. Andei por novas veredas. Desafiei demônios. Recompus meus estoques afetivos e emocionais. Amores teimosos, indolentes e desafiadores. Medos vencidos, sonhos proclamados, entrei no céu e umedeci asas de anjos. Abri trilhas nas nuvens. Nadei desejos, palavras e promessas doces. Jorrei chuvas, então, e olhei, extasiado, delicadas pétalas de rosas, emaranhadas em cheiro de terra molhada, emergirem como um sopro vulcânico, brincantes como as burrinhas dos reisados, amantes como as mulheres de Chico, nervosamente...

Cotas e contas...DESEMPENHO DE COTISTAS FICA ACIMA DA MÉDIA

Em minhas aulas, vez por outra, a questão das cotas aparecem como grande polêmica...vez por outra, dedicamos um tempo para trocar impressões - eu e a turma - e sempre ficamos com a sensação de que o tempo foi curto ou que mais argumentos faltaram para compor um quadro que nos ajude a refletir mais sobre a questão. Sobre isso, publico aqui matéria originalmente publicada n'O Estado de São Paulo, dia 17 de julho passado. Ilumina alguns aspectos da questão, inclusive o tradicional argumento de que os beneficiários das cotas "rebaixariam" o nivel da formação oferecida pelas instituições educacionais e, consequentemente, o nível dos profissionais formados, trazendo prejuízos à toda a sociedade que teria que conviver com profissionais de "baixa qualidade". O processo de aprendizagem é dinâmico (quase todos os pedagogos e psicólogos contemporâneos atestam isso) e aquele que hoje está em um nível "não aceitável" para determinado padrão avaliativo, em um moment...

TRAJETÓRIAS E TRAGÉDIAS...

Em meio ao noticiário policial da moda... Ele...negro e pobre...estudava de dia e frequentava as atividades de um projeto social executado por uma ONG num bairro de periferia de uma metrópole do sul do país. Nunca havia ganho, sequer, um velocípede de presente dos pobres pais. Ela...branca, como a maioria das meninas que nascem no Sul do país...estudou em escola pública também, já que os pais não tinham como sustenta-la em escola privada. Sonhava em ganhar uma Barbie de presente de aniversário. Ele...logo cedo, seus atributos no mais popular esporte do país começaram a aparecer...bom de bola, percebeu que nesse ambiente poderia alcançar uma qualidade de vida que seus pais jamais alcançaram, nem seus antepassados mais distantes... Ela...logo cedo, percebeu que seus (belos) atributos físicos poderiam dar-lhe oportunidades e abrir portas cujos resultados poderiam ser, sim, uma melhoria de qualidade de vida que poucas meninas da sua idade teriam...com o apoio das professoras da escola...

Muitas Felicidades a Carlos Caetano!

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Mais uma Copa do Mundo que passa e andando pelas ruas vejo os rostos um tanto tristes e lamentosos, pintados pelas tintas de um patriotismo que só a Copa do Mundo (na falta de guerras) revela. Sinceramente não entendo a tristeza. As pessoas continuam vendo a seleção de futebol da CBF como se fosse "a seleção brasileira", isto é, a reunião dos melhores jogadores em atividade por alguém que representa ou sintetiza esse reconhecimento. Não é bem assim, sabemos. Talvez nunca tenha sido. E sabemos que qualquer um que ocupasse o posto de treinador da seleção sofreria todas as pressões que o técnico brasileiro sofreu e teria que conviver com a pergunta em forma de cruz "por que não escalou...fulano?". Quando me perguntavam por quem eu estava torcendo eu respondia que em cada grupo havia uma preferência. Em princípio poderia parecer uma resposta reveladora de uma artimanha dos que tem medo ou vergonha de perder ou sofrer com as derrotas. Mas àqueles que perguntavam por qu...

De uma vez só...Saramago e Militana

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Neste final de semana, a humanidade, de uma tacada só, perdeu duas pessoas importantes: o português José Saramago e a nossa potiguar Dona Militana. Cada um de sua aldeia lançou pérolas ao mundo. Um, ganhador do Nobel de Literatura. A outra, detentora da Comenda Máxima da Cultura Popular. Ambos, legítimos representantes da cultura ibérica, seus dramas, suas tramas, seus dilemas e, principalmente, bonitezas. Ambos, como rei e rainha de um romance ibérico, pegaram a "jangada de pedra", antes que a morte agisse em suas intermitências. A querida amiga Rosângela, que entende de Literatura muito mais que eu, que escreve e faz poesias com a formosura de poucas criaturas, enviou aos amigos um texto por ela escrito, em referência à morte do Saramago. Pedi autorização a ela para publicar o texto e ela deixou. Com ela tenho liberdade de dialogar sobre essas coisas  e o fiz dentro dos meus reconhecidos limites poéticos...mas é um exercício que adoro fazer com ela. Então aqui está, para o...

Fragmento poético

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Estava fazendo uma faxina no meu computador...Visitando objetos de um relicário eletrônico...encontrei coisas a serem jogadas na lixeira (que no caso do computador é o verdadeiro limbo...rs). Encontrei um atentado poético, escrito em 2005, em condições especiais. Seu destino não poderia ser o limbo...então jogo-o nesse oceano cibernético que é a net, por essa canoa que é meu blog...lá vai ele...para onde não sei...para os que leem...e para os que não leem...para o mundo... Abraços a todos Aí vai um (o) sorriso contido (prometido), colhido num jardim perfumado de íris e pitangas frescas e sedutoras, encontrado dependurado num trapézio de circo, ao fim da última apresentação, do último palhaço da noite, deixado lá pela última criança a se retirar da platéia.