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Salve a Água Potável de Natal

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Somo-me à campanha lançada pelo Ministério Público do RN com vistas a proteger o manancial da água subterrânea localizado na região conhecida como San Vale (Zona Sul de Natal). Um dos instrumentos da campanha é o abaixo-assinado eletrônico “para cobrar dos Poderes Públicos Estadual e Municipal a construção do Sistema de Esgotamento Sanitário”. Como se sabe, é crescente o processo de contaminação das águas subterrâneas em Natal. Há anos este é um problema que, a despeito de sua identificação e gravidade, vem tendo seu enfrentamento protelado por parte dos poderes públicos. A Zona de Proteção Ambiental do San Vale (ZPA) foi definida como tal pelo Plano Diretor de Natal, em 1994. Tive a honra de ser o relator deste Plano quando exerci mandato de vereador em nossa cidade. Na ocasião, a área que era definida como residencial, foi classificada como de proteção ambiental. Em 1995, também fui relator da Lei 4.664/95, que definiu “o uso do solo, limites e prescrições urbanísticas d...

Escola-prisão: quando Michel Foucault "baixou" em Caicó

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A última vez que estive em Caicó foi para o aniversário de minha sobrinha. No caminho da casa de minha mãe para lá é inevitável não passarmos de frente à Escola Kennedy. Qual não foi minha surpresa, ao olhar para a escola me dou conta (assustadíssimo!) que a fachada da escola era composta de janelas e um enorme portal corrediço que (aposto) fica a maior parte do tempo fechado. Imediatamente fiz a foto acima. Conheço a escola. Antes, sua fachada era diferente: havia um espaço de circulação que antecedia as salas de aula. Esse espaço de circulação era atravessado por uma ventilação (na medida do possível em se tratando de Caicó) que entrava exatamente pela frente do prédio, que tinha grades de ferro. Nas laterais desse prédio, apenas janelas (das próprias salas) davam visibilidade do exterior da escola. Na época em que visitei a escola muitas reclamações haviam sobre o fato de que os carros de som de publicidade não respeitavam a escola e as aulas tinham que ser suspensas naqueles moment...

(Mono)Cultura e eventos em Caicó

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Recebi, recentemente, mensagens de amigos de Caicó sobre as questões culturais locais. Numa das mensagens, leio uma postagem do blog de Diego Vale (que não conheço), segundo o qual Caicó (diferentemente, por exemplo, da Terra da Xelita, a bela Currais Novos) não teria uma política de eventos turístico-culturais. Isso é verdade. Mas há uma tendência de se responsabilizar apenas o poder público e não podemos perder de vista o quanto todos (eu disse TODOS) têm responsabilidade nessa história. É claro que o poder público está na dianteira disso, mas apenas é o primeiro colocado de uma disputa que (sem querer) todos deverão receber alguma medalha. Portanto, o buraco tem mais fundura, lixo e catinga que o Poço de Santana. Em primeiro lugar, não se trata apenas de "eventos" (que são momentos pontuais e efêmeras) e sim de "política", "política cultural", isto é, uma diretriz (permanente, cotidianamente alimentada), construída em acordo com os artistas e empreended...

Boris Casoy, isto é uma vergonha!

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O último telejornal da TV Bandeirantes de 2009 já está na história da televisão brasileira. Ao encerrar o Jornal da Band, em 31 de dezembro último, a produção do telejornal exibiu uma dupla de garis de São Paulo desejando da forma mais simplória um feliz ano novo a todos que lhes assistiam. Talvez tenha sido a primeira e única vez em que tenham se sentido "visíveis" já que vivem num quase permanente estado de "invisibilidade social". Na sequência, um erro técnico faz vazar o áudio do estúdio e o jornalista, âncora do telejornal, Boris Casoy, lança seu comentário asqueroso: “Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... Dois lixeiros... O mais baixo da escala do trabalho”. Tanto esse vídeo como a sua "retratação" na noite seguinte estão bombando na internet e ambos dizem muito do caráter do jornalista, bem como nos remete à discussão sobre a chamada liberdade de expressão nos meios de comunicação. Se pensarmos apenas no ca...

O nascimento de Peri

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O jogo estava começando e aí recebo a ligação cujo número, antecedido pelo código (31), me indicava ser de meu filho, vivendo desde o início do ano em Belo Horizonte: "Pai! Mariana começou o trabalho de parto, viu? Abraços..." Naquele momento, eu estava ligado em Belo Horizonte não somente por causa da iminente chegada de meu primeiro neto, mas também porque era lá que o meu Mengão começava a dizer a todos que estava, sim, na disputa do título do Campeonato Brasileiro deste ano, jogando contra o Atlético, velho rival de outras disputas. Não entrarei nos detalhes do jogo em que saímos vitoriosos em 3 a 1, placar que demonstrou o quanto o meu Flamengo foi superior jogando na casa de um adversário que, naquele momento, estava na disputa do título. Após o fim da peleja, liguei imediatamente para meu filho para saber do parto de Peri (sim, é esse o nome do comedorzinho de rapadura!). O trabalho de parto ainda não havia se findado. Perguntei se Mariana (cuja família é quase toda at...

A Vitória de Besouro

Estou em Belo Horizonte passando os festejos de fim de ano lambendo meu neto com um mês e pouco de nascido. Resolvi atualizar o blog escrevendo sobre o filme "Besouro" já que foi minha última postagem, escrita antes mesmo de ver o filme. Então: parece que o filme apenas confirmou minhas suspeitas e devo dizer que confirmou sua vitória sobre a morte. Isto já estava dado quando os mestres capoeiras o trouxeram para seus cânticos. Mas agora o cinema o tornou conhecido para além das fronteiras das rodas dos capoeiras. O filme, exibido durante todo o mês de novembro fez jus ao seu nome. Como eu imaginava, muitos reclamariam dos efeitos roliudianos, mas eu aprovei. Foram usados apenas naquilo que era necessário e tão-somente fornecendo ao mito aquilo que todo mito precisa ter para ser isso, ou seja, a extrapolação da realidade.

Lula e César Benjamim: filhos da verdade e do Brasil

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A chamada grande imprensa brasileira tem em sua história a marca de arquiteta e mestre de obras "mitológicas". São informações que se transformam em "verdades inquestionáveis" e cristalizam personagens e acontecimentos, os quais, no cotidiano das memórias e explicações do mundo que o imaginário popular e da classe média (os chamados "formadores de opinião") põem em movimento, sedimentam não apenas opiniões momentâneas, mas estruturas de representação do mundo. Talvez, pelo reconhecimento do próprio poder, tenham feito tanto alarde diante do pré-lançamento do filme "Lula, o Filho do Brasil"... Em face disso, republico aqui um artigo do jornalista Washington Araújo, sobre uma tentativa de atacar o caráter do presidente Lula a partir de um depoimento cujos detalhes, quando analisados, descortinam muito do que tem assustado as elites brasileiras e deteminados setores de nossa esquerdoida. O filme, aliás, estará em cartaz a partir de janeiro do próxim...