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Boris Casoy, isto é uma vergonha!

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O último telejornal da TV Bandeirantes de 2009 já está na história da televisão brasileira. Ao encerrar o Jornal da Band, em 31 de dezembro último, a produção do telejornal exibiu uma dupla de garis de São Paulo desejando da forma mais simplória um feliz ano novo a todos que lhes assistiam. Talvez tenha sido a primeira e única vez em que tenham se sentido "visíveis" já que vivem num quase permanente estado de "invisibilidade social". Na sequência, um erro técnico faz vazar o áudio do estúdio e o jornalista, âncora do telejornal, Boris Casoy, lança seu comentário asqueroso: “Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... Dois lixeiros... O mais baixo da escala do trabalho”. Tanto esse vídeo como a sua "retratação" na noite seguinte estão bombando na internet e ambos dizem muito do caráter do jornalista, bem como nos remete à discussão sobre a chamada liberdade de expressão nos meios de comunicação. Se pensarmos apenas no ca...

O nascimento de Peri

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O jogo estava começando e aí recebo a ligação cujo número, antecedido pelo código (31), me indicava ser de meu filho, vivendo desde o início do ano em Belo Horizonte: "Pai! Mariana começou o trabalho de parto, viu? Abraços..." Naquele momento, eu estava ligado em Belo Horizonte não somente por causa da iminente chegada de meu primeiro neto, mas também porque era lá que o meu Mengão começava a dizer a todos que estava, sim, na disputa do título do Campeonato Brasileiro deste ano, jogando contra o Atlético, velho rival de outras disputas. Não entrarei nos detalhes do jogo em que saímos vitoriosos em 3 a 1, placar que demonstrou o quanto o meu Flamengo foi superior jogando na casa de um adversário que, naquele momento, estava na disputa do título. Após o fim da peleja, liguei imediatamente para meu filho para saber do parto de Peri (sim, é esse o nome do comedorzinho de rapadura!). O trabalho de parto ainda não havia se findado. Perguntei se Mariana (cuja família é quase toda at...

A Vitória de Besouro

Estou em Belo Horizonte passando os festejos de fim de ano lambendo meu neto com um mês e pouco de nascido. Resolvi atualizar o blog escrevendo sobre o filme "Besouro" já que foi minha última postagem, escrita antes mesmo de ver o filme. Então: parece que o filme apenas confirmou minhas suspeitas e devo dizer que confirmou sua vitória sobre a morte. Isto já estava dado quando os mestres capoeiras o trouxeram para seus cânticos. Mas agora o cinema o tornou conhecido para além das fronteiras das rodas dos capoeiras. O filme, exibido durante todo o mês de novembro fez jus ao seu nome. Como eu imaginava, muitos reclamariam dos efeitos roliudianos, mas eu aprovei. Foram usados apenas naquilo que era necessário e tão-somente fornecendo ao mito aquilo que todo mito precisa ter para ser isso, ou seja, a extrapolação da realidade.

Lula e César Benjamim: filhos da verdade e do Brasil

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A chamada grande imprensa brasileira tem em sua história a marca de arquiteta e mestre de obras "mitológicas". São informações que se transformam em "verdades inquestionáveis" e cristalizam personagens e acontecimentos, os quais, no cotidiano das memórias e explicações do mundo que o imaginário popular e da classe média (os chamados "formadores de opinião") põem em movimento, sedimentam não apenas opiniões momentâneas, mas estruturas de representação do mundo. Talvez, pelo reconhecimento do próprio poder, tenham feito tanto alarde diante do pré-lançamento do filme "Lula, o Filho do Brasil"... Em face disso, republico aqui um artigo do jornalista Washington Araújo, sobre uma tentativa de atacar o caráter do presidente Lula a partir de um depoimento cujos detalhes, quando analisados, descortinam muito do que tem assustado as elites brasileiras e deteminados setores de nossa esquerdoida. O filme, aliás, estará em cartaz a partir de janeiro do próxim...

O Alecrim e o poder da Força

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Graças a um casal amigo meu incorporei aos meus olhos futebolísticos o Alecrim F.C.. Entre as razões (para além de minha afetividade pelo casal e o próprio fato de meu filho mais velho, Cainã, ser, também, torcedor do Verdão) está, por exemplo, uma antipatia que nutro pelas práticas de paixão doentia (portanto que beira a loucura violenta) de torcidas como a Máfia nãoseidequecor e a Gang tambémnãoseidequecor. Sei que alguém diria que essas práticas deveriam me afastar das torcidas e não do time, mas, a verdade é que escolhi viver em Natal desde que tenho 17 anos e não consegui me apaixonar por nenhum clube daqui. Pelo contrário, torcia (e torço) por qualquer outro clube do interior do Estado (especialmente aqueles oriundos do meu Seridó) quando se encontram com o ABC ou o América... Mas, devo dizer que fui ao Machadão mais vezes neste ano do que durante os últimos cinco, por causa do Alecrim. Clube que é queridinho de todo mundo enquanto não ameaça seriamente a hegemonia de alvinegros ...

Da série "não vi mas já gostei": Besouro

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Ao sair da sessão de um filme pouco atrativo (sim, porque nem lembro o título agora...portanto não deve ter me causado impacto algum) me deparei com o cartaz. O título, curto, de visibilidade imediata: "Besouro", sob a imagem de um negro saltando. Nem foi preciso pensar muito. Deduzi de imediato que, finalmente, o cinema brasileiro estava rendendo suas homenagens a um dos maiores mitos brasileiros: o "Besouro". Ponto para o diretor, o novato João Daniel Tikhomiroff. É o reconhecimento tardio de um fantástico personagem presente (e sobreviente) no imaginário popular graças aos cânticos (ou "mantras", como diriam alguns) dos capoeiristas brasileiros, que nos seus jogos entoam as façanhas de Besouro. Eu o conheci através de um texto do prof. José Gerardo Vasconcelos (da UFC) que pesquisou sobre o personagem e produziu um belo texto referindo-se à sua eternização pela memória popular, como que uma teimosia da memória popular em face de uma de suas maiores cara...

Nós temos SUS..."eles" não têm...

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Reproduzo abaixo um artigo do prof. Luís Carlos Lopes, autor do livro "TV, poder e substância: a espiral da intriga", sobre as tentativas do presidente Obama em instituir um sistema público de saúde, similar ao brasileiro. As resistências são enormes e, ao contrário do que se supõe, a oposição que ele sofre não se deve a uma suposta falha do "nosso" SUS, mas, muito mais, por razões ideológicas e, principalmente, econômicas, afinal as empresas de planos de saúde faturam milhões por lá (como aqui também)... Apesar de todos os seus problemas, o nosso SUS é tido como exemplo de modelo, exatamente porque funda-se em princípios básicos pelos quais as pessoas atendidas não são vistas como "clientes" mas "detentores de direitos". Recentemente o cineasta-documentarista Michael Moore retratou (com a sua fina ironia e perspicácia que lhe são características) toda a violência da saúde dos EUA no filme "SICKO - SOS Saúde". Quem puder ver veja e tire...